Dias complicados nos fazem parar para pensar que caminho estamos seguindo. Vejo a todo momento, situações que desafiam a nossa capacidade de ter determinação no que acreditamos. Essas crenças nos movimentam nas estradas da vida, mas em momentos de conflito, não só com os outros mas consigo mesmo, descobre-se que é necessário repensar essas crenças.
Como um espelho que reflete uma imagem ainda fosca e fora de foco, a dificuldade de se ver com clareza a si mesmo impede o autoconhecimento. As crenças acabam por deturpar a imagem de si, e por incrível que pareça, descobre-se que na realidade não havia uma imagem de si, e sim uma imagem construída a partir de crenças de outras pessoas, que eram confundidas como sendo de si mesmo.
O impacto dessa descoberta chega a ser angustiante pois era com essa imagem que se tornava possível se relacionar com as outras pessoas e ser aceito. Mas na realidade o que era aceito não era o seu eu, mas o que as pessoas queriam que você fosse. A aceitação ocorre a partir do momento que se atende a uma demanda de desejos alheios, que acabam por controlar e decidir quais as crenças e preferências deve se ter. Um verdadeira de aranha, onde quanto mais se mexe mas se enrola na teia.
Ao se olhar no espelho, encontra-se o vazio. quando busca a sua própria definição descobre-se que é a definição que os outros deram. O que se vê no espelho é a alienação de si mesmo. O que se vê é um estranho que assumiu o lugar do ser, e passou-se a obedecer uma imagem criada pelo outro, que causa uma sensação de solidão terrível quando se não está sob o domínio da aceitação do outro.
O processo de recuperação de si mesmo é lento e um pouco doloroso, pois exige renúncia. É difícil renunciar ao desejo dos outros, aos que os outros determinaram que você era, a única forma de aceitação e convivência com o outro. É difícil deixar de ser escravo.
A liberdade vem quando se compreende o poder da renúncia e do despego. O poder de entender que se tirarem tudo de você, permanece o que há de melhor de você: a sua essência. Então descobre-se que quando se renuncia a tudo que escraviza, que exige a opinião do outro para encontrar a satisfação, o que é essencial assume o controle, ou seja, o seu próprio ser assume as decisões a serem tomadas e se responsabiliza pelos resultados. Assim, você se vê no espelho.