terça-feira, 23 de abril de 2013

A seca e a fome que destroem a alma.

Apesar de toda tecnologia e avanços para conquista do universo, o homem é incapaz de conquistar a si mesmo. Perdido no egoísmo de saciar sua fome e sede de suas vontades individualistas, é uma espécie destruidora de seres humanos, são capazes de matar para ter, de enganar para levar vantagem e sua ganância não tem limites. Não são sustentáveis quando desviam recursos do coletivo para o seu próprio prazer. Se deliciam com o sofrimento humano, quando estão no alto de seus palácios pisoteando aqueles que os alimentam. Torturam as vontades e esmigalham os sonhos daqueles que tem como única propriedade os sonhos. A miséria humana e a desgraça das crianças famintas, mulheres sofridas, idosos depressivos e homens desqualificados se tornam o tapete para o triunfo daqueles que estão no poder.
Não vejo riqueza e poder daqueles que precisam pisar para subir. Vejo almas podres e fedidas, com sorrisos imundos e olhares perversos, que se alegram com a destruição do amor. Não existe inferno quando se vive em um, quando os demônios estão soltos e recebem regalias, homenagens e premiações. Quando passam e o povo clama por um olhar e chora fanático, pensando em receber uma caridade de ser considerado um ser de direitos, já que chegaram a conclusão de que não passam de chorume de um sociedade fétida de perfumes franceses.
Na televisão, vejo um lindo e exuberante desfile de cadáveres que são objeto de desejo daqueles que desejam ser cadáveres. 

Falta o ar, mas não falta a vontade de voar...

Um sensação de meio perdido no tempo e no espaço toma conta da mente. sei que é uma triste ilusão. O que sinto é que são reflexos dos que os outros pensam e dos padrões que querem que a gente siga. A tentativa é que nos tornemos algo controlável por eles, no qual recebemos uma identificação e que possamos ser orientados a viver como querem ou como acham que a vida é perfeita. Porém esquecem do fundamental: a vida e única para cada um de nós, ela é intransferível cada um é responsável pela forma que ela se desenrola. Uma angústia me pega de surpresa quando vejo que não realizo as coisas que as pessoas esperam que eu realize. Mas me lembro que a realização das coisas não está no meu poder se eu estou no poder das outras pessoas, no domínio delas. É uma pressão para ser o que elas querem que eu seja e não que eu quero ser. Isso causa a perda de mim mesmo, pois à medida que eu me encontro no poder do outro, eu acabo não sabendo mais quem eu sou e o que eu quero. 
O que eu devo refletir é se o que faz os outros felizes me faz feliz, quando faço o que os outros querem e, principalmente, o que é felicidade para os outros é felicidade para  mim, ou se realmente os outros são felizes com eles mesmos.
Nos jogos de máscara da sociedade, onde a máscara é uma forma de ataque e proteção, os caminhos se entrelaçam de maneira que se amarram e se prendem, muitas vezes sufocando aqueles que não conseguem sustentar as máscaras de ferro que escravizam as vontades.
Então eu paro e olho para o céu e contemplo as estrelas, longe das máscaras e longe dos jogos que cravam suas garras na alma humana e tornam-nas cativas das suas atrocidades. As estrelas não precisam de máscaras e nem de jogos e portanto estão visíveis. Porém, são visíveis mas não significam que existem, porque muitas delas nem existem mais, são apenas reflexos de luz. O que vemos são ilusões que consideramos realidade. Assim é o jogo da vida, onde consideramos realidade única e muitos se suicidam vivos buscando se adequar a essa ilusão de realidade. 
O preço da alma custa muito caro. É o bem mais valioso de um ser humano. É o preço mais caro que atormenta a consciência. O fato de ter posse, domínio e poder tem um preço tão caro quanto não tê-los. A escolha por não ter, implica uma negação ao que se determina que se tenha, ao que se obriga para ser aceito e ser considerado sucesso. Perde-se a posse mas pode-se ganhar a alma. O peso é muito grande, a alma cede ao espaço da matéria que determina uma prisão, um dever a ser cumprido. E então vem a sensação de estar meio perdido entre o espaço e o tempo.

sábado, 30 de março de 2013

Pedra que rola não cria limo


Fico parado no tempo e no espaço. vejo fatos e pessoas se entrelaçarem ao meu redor, flutuando nas emoções do momento. No peito não dá pra esconder, mesmo usando uma forte armadura, mas dói uma dor vazia, uma dor silenciosa e torturadora. Ser social é muito difícil, deve-se ter seus momentos de reclusão. Penso que, para algumas pessoas é muito difícil pensar, porém é mais cômodo e traz vantagens. Mas eu não consigo ficar sem questionar, mesmo querendo e me fazendo de distraído, eu não consigo. A meditação tem sido um remédio eficaz para os momentos que precisamos nos afastar das energias complexas dos relacionamentos humanos. Mas não á pra ficar o tempo todo meditando, até mesmo porque eu ficaria questionando o porquê de estar o tempo todo meditando. 
Nas jornadas do interno e externo do meu ser, nas subidas e descidas das emoções, calmarias e tempestades, os acontecimentos vão passando e sendo espalhados pela história da minha vida. Pessoas marcam e determinam a minha existência, mas os ciclos são definitivamente concluídos sem perder a sua continuidade, pois cada ciclo interliga-se com o próximo, levando uma carga de energia que, mesmo sem ser perceptível, influencia no andamento e na abertura de uma nova fase. 
O ato de mudar, renovar, transferir, transmutar é deveras trabalhoso e doloroso. Temos até a disponibilidade de abrir mão do que passou, mas os seres que nos rodeiam insistem que devemos ser apenas o que foi determinado pelas circunstâncias, e permanentemente presos aos papéis que tivemos que encenar durante muito tempo e que agora existe uma rejeição ao abandono de um texto que não se harmoniza com o novo ser que surge no cenário. Cobram que, se trocamos os papéis, estamos fugindo do destino, como correntes que se arrastam e que prendem a uma definição limitada do que somos, não permitindo morrer para viver, ou seja, renovar-se pleno de si mesmo, consciente das etapa que estão vencidas e desgastadas, e que precisam ser abortadas para que se possa acompanhar a valsa do universo.
Escolher o diferente, pode ser a morte súbita que declaramos para as pessoas que nos veem sempre da mesma forma, encaixados em um modelo padronizado e aceito pra a convivência social. Então, somos pressionados pelo pavor alheio que nos força a ser algo aceitável. Apesar disso, nossa força natural intrínseca resiste a essas pressões, mesmo que o nosso cristal espiritual comece a trincar, de forma que nos sentimos fragilizados por ser diferente. Essa força estranha interna nos impulsiona para conquistar o próprio ser, o domínio de si mesmo. É um preço altíssimo a se pagar, é um sofrimento silencioso e amargo que tritura o coração. Mas é fundamental continuar o caminho com pisadas seguras e decisivas, senão nunca encontrará o caminho.