Fico parado no tempo e no espaço. vejo fatos e pessoas se entrelaçarem ao meu redor, flutuando nas emoções do momento. No peito não dá pra esconder, mesmo usando uma forte armadura, mas dói uma dor vazia, uma dor silenciosa e torturadora. Ser social é muito difícil, deve-se ter seus momentos de reclusão. Penso que, para algumas pessoas é muito difícil pensar, porém é mais cômodo e traz vantagens. Mas eu não consigo ficar sem questionar, mesmo querendo e me fazendo de distraído, eu não consigo. A meditação tem sido um remédio eficaz para os momentos que precisamos nos afastar das energias complexas dos relacionamentos humanos. Mas não á pra ficar o tempo todo meditando, até mesmo porque eu ficaria questionando o porquê de estar o tempo todo meditando.
Nas jornadas do interno e externo do meu ser, nas subidas e descidas das emoções, calmarias e tempestades, os acontecimentos vão passando e sendo espalhados pela história da minha vida. Pessoas marcam e determinam a minha existência, mas os ciclos são definitivamente concluídos sem perder a sua continuidade, pois cada ciclo interliga-se com o próximo, levando uma carga de energia que, mesmo sem ser perceptível, influencia no andamento e na abertura de uma nova fase.
O ato de mudar, renovar, transferir, transmutar é deveras trabalhoso e doloroso. Temos até a disponibilidade de abrir mão do que passou, mas os seres que nos rodeiam insistem que devemos ser apenas o que foi determinado pelas circunstâncias, e permanentemente presos aos papéis que tivemos que encenar durante muito tempo e que agora existe uma rejeição ao abandono de um texto que não se harmoniza com o novo ser que surge no cenário. Cobram que, se trocamos os papéis, estamos fugindo do destino, como correntes que se arrastam e que prendem a uma definição limitada do que somos, não permitindo morrer para viver, ou seja, renovar-se pleno de si mesmo, consciente das etapa que estão vencidas e desgastadas, e que precisam ser abortadas para que se possa acompanhar a valsa do universo.
Escolher o diferente, pode ser a morte súbita que declaramos para as pessoas que nos veem sempre da mesma forma, encaixados em um modelo padronizado e aceito pra a convivência social. Então, somos pressionados pelo pavor alheio que nos força a ser algo aceitável. Apesar disso, nossa força natural intrínseca resiste a essas pressões, mesmo que o nosso cristal espiritual comece a trincar, de forma que nos sentimos fragilizados por ser diferente. Essa força estranha interna nos impulsiona para conquistar o próprio ser, o domínio de si mesmo. É um preço altíssimo a se pagar, é um sofrimento silencioso e amargo que tritura o coração. Mas é fundamental continuar o caminho com pisadas seguras e decisivas, senão nunca encontrará o caminho.

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